O casarão de porta 19, da rua Joaquim Távora, teve como último dono Eduardo Marques Lisboa Freitas. Esse casarão é marcado por características arquitetônicas típicas do século XVIII, tendo sido possivelmente pertencente a uma das famílias mais abastadas do período. O nome do seu Último dono ainda não pode ser por mim identificado de forma direta a nenhuma das grandes fortunas do século XIX, nem XVIII, apesar dos nomes Marques, Lisboa e até Freitas, aparecerem em alguns momentos ligados a pessoas de um bom nível social, de camadas medias para altas, e, por vezes até abastada.

O casarão era provido de três pavimentos e mais dois anexos, um porão alto, com sistema de ventilação, através de dois óculos, e, um possível sótão ao nível do telhado, demonstra claramente que essa foi à habitação de uma abastada família da região. A existência de um porão com essas características trás consigo duas possibilidade, a primeira deste servir de abrigo a libertos, ou pessoas de camadas mais baixas, sendo assim mais um meio de ganho de renda, a segunda, e mais provável, de servi de vão de descanso dos escravos domésticos da residência.

A azulejaria que é encontrada tanto na fachada dianteira, como na traseira, possuem estilos diferentes, marcadamente sendo também de períodos diferentes. A azulejaria dianteira é muito provavelmente do inicio do século XIX, do tipo xadrez em tons de azul e ocre, sobre um fundo branco, circulados de frisos relevados de motivo floral em branco sobre o fundo azul, esse estilo de azulejo é característico da região de Lisboa, que lembra uma temática muito utilizada na azulejaria portuguesa do século XVII. A azulejaria dos fundos encontra-se formada por um revestimento pouco comum, em relação a padronagem, sendo mesmo raro tanto para a cidade de Salvador como para a de Lisboa. A sua origem é desconhecida, mas caracteriza bem uma cidade portuária, com um grande comércio externo e cosmopolita. Estas azulejarias ratificam a hipótese do casarão ter pertencido a algum membro muito influente da sociedade baiana.

Este imóvel foi transformado em um condomínio com as seguintes características:

Condomínio com 15 aptº duplex de 2 quartos, 01 portaria, pátios, estacionamento para 14 carros e zeladoria.
Área construída total será de 1.240 m².
Área média dos imóveis será 41,54 m².

Clique sobre as fotos abaixo e acompanhe o processo de restauração.

Créditos do texto para: Joel Nolasco Queiroz de C. e Silva.